sábado, 27 de setembro de 2008

PIMENTAS


Como já disse, cozinha para mim é alquimia, é a química na sua forma mais pura.
Os temperos são a base de toda culinária, os primeiros habitantes tupiniquins já utilizavam
pimentas e ervas no preparo de seus alimentos.

















Conta-se que o Bispo Sardinha teve sérias desavenças com o Governador Geral do Brasil e a coisa ficou tão séria que a corte o chamou de volta a Portugal para que se explicasse. Mas o navio naufragou nas costas brasileiras, os sobreviventes nadaram desesperados até a praia, mas deram azar. Os índios (antropófagos) estavam esperando que o jantar chegasse até eles. Desculpem o trocadilho, mas jantaram o Sardinha, temperado com muita pimenta socada com ervas e assado no muquém.

Temperos e especiarias, foram os motores que impulsionaram as grandes descobertas. Segundo Jean-Marie Pelt, usadas como condimentos, moeda, perfumes ou remédios, especiarias e ervas acompanham o homem, seus inventos e descobertas há milênios. Nos séculos XV e XVI eram um bem tão valioso que impulsionaram as Grandes Descobertas. Bem antes disso, já figuravam na Bíblia e nos Evangelhos, e hoje é contínuo o interesse por temperos orientais, medicina fitoterápica e os usos e poderes de plantas e sementes. Para saber mais sugiro a leitura do livro:


Especiarias & Ervas Aromáticas
História, botânica e culinária

Jean-Marie Pelt




As pimentas americanas, só se tornaram conhecidas depois dos grandes descobrimentos. O velho mundo conhecia as pimentas orientais:


Piper longum















Piper cubeba














Piper nigrum














Amomum melegueta



De todas, a que considero mais interessante, é a pimenta da Guiné (amomum melegueta) Esta especiaria da família dos cardamomos tem um gosto picante e apimentado e substituía a pimenta quando esta tinha preços muito caros.





Os grãos são as sementes de uma planta que parece um caniço, atingindo 2 metros de altura, e são extraídos da polpa amarga do fruto e secados antes da consumação.
Originária da Costa Ocidental da África, do litoral do Golfo da Guiné, é conhecida em Sierra Leone e Congo com o nome de malagueta, ou grão do paraíso, mas este nome muitas vezes também indica o cardamomo, principalmente em receitas medievais. Levada pelo Saara, partiu para a Europa via Trípoli. Seus primeiros exportadores foram os árabes e, depois, os mercadores portugueses. No passado, os grãos eram utilizados para condimentar vinhos e cervejas, e, no século XVII, eram conhecidos por suas propriedades tonificantes. Hoje, são pouco usadas na Europa, mas ainda muito difundidas na África Ocidental e no Maghreb, principalmente para condimentar pratos de carneiro na brasa, batatas e berinjelas. Seu uso medicinal demonstra que diminuem flatulência e têm efeitos diuréticos e estimulantes. Muito usada na medicina africana e veterinária. Difere inteiramente das pimentinhas, que no Brasil, denominam-se malaguetas.

2 comentários:

Juliana disse...

Na verdade eu gostaria de mais infomações a respeito da época da poda , pois tenho uma plantação que eu trouxe da africa. desde ja agradeço !

Márcia Regina disse...

Oi Juliana. Eu preciso de mais informações sobre a espécie a que pertencem suas pimenteiras, pois as que conheço, apesar de serem perenes, não necessitam de podas, a não ser em caso de infestação de parasitas. Desde que, bem cuidadas, com adubo orgânico no solo e umidade controlada, as pimenteiras que conheço, produzem o ano todo. Aqui em Lavras tem uma universidade agrícola, se me enviar mais informações sobre suas pimentas, poderei procurar o departamento agrícola da universidade e assim esclarecermos nossas dúvidas.

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