quarta-feira, 17 de junho de 2009

MARMELO- (Cydonia oblonga Mill.)


Quase chorei quando vi na gôndula do mercado esta fruta maravilhosa, tão pouco conhecida e que não via desde menina. Para ser franca, nunca havia visto tão grandes e cheirosas. Lembra uma pêra, não é mesmo? Mas não é a toa, ele é da mesma família das pereiras e antigamente seus galhos eram usados como arma de educar crianças (eu acho o cúmulo da premeditação, cortar uma vara de marmelo e guardar para bater em menino arteiro), eu por meu lado, nunca levei uma varada destas (não por que não merecesse, mas por que meus pais nunca foram destas coisas). Confira uma receitinha especial de compota de marmelo lá no RECEITAS DA DONA CIDA. Aqui vão algumas informações técnicas sobre o marmelo e seu cultivo.

Cultivo do marmelo tem origem na antiga Pérsia


Marmeleiro (Cydonia oblonga Mill.) é uma árvore de muitos galhos, folhas duras e cor verde-escura. As flores são grandes e brancas ou rosadas e é originário da região dos mares Cáspio e Negro, na Ásia. Começou a ser cultivado provavelmente na antiga Pérsia (atual Irã), de onde se espalhou pelo Mediterrâneo.

Acredita-se que os primeiros marmeleiros plantados no Brasil foram trazidos por Martim Afonso de Souza em 1532 e se habituaram muito bem ao clima, principalmente na Serra da Mantiqueira, onde se tornou uma cultura subespontânea.

Chegou a ser uma cultura de grande importância, principalmente na década de 1930, quando a marmelada era o doce industrializado mais consumido no País. O fruto tem cor dourada, formato arredondado. É ácido (mesmo depois de cozido), de perfume forte e polpa dura.

VITAMINAS - O marmelo cru é uma boa fonte de vitamina C, mas, durante o cozimento, perde-se grande parte dessa vitamina. Também contém vitaminas do complexo B e alguns sais minerais.

Além disso, auxilia no bom funcionamento do aparelho digestivo.

Ao comprar, escolha frutos maiores, mais pesados e de formato regular, sem sinais de picadas de insetos ou manchas esverdeadas. O marmelo maduro se conserva muito bem fora da geladeira durante uma semana.

Os estados que produzem o marmelo são Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná, Goiás, Bahia, São Paulo e Espírito Santo. Só Minas tem plantações comercialmente importantes, em Delfim Moreira e Marmelópolis, e mesmo estas estão em decadência.

Apesar da procura por indústrias de doces, que importam a maior parte do marmelo que precisam da Argentina e do Uruguai, a cultura do marmeleiro não tem apresentado atrativos, pois, além da demora para produzir e de dar um rendimento menor que o de outras culturas de clima temperado, ele não é conhecido no País.

PLANTIO - Segundo informações publicadas pela Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), mudas de marmelo devem ter dois anos, no máximo três, e a poda de formação já iniciada na época de plantio, quando a planta se acha no fim do estado de dormência, por volta de julho a agosto. Isso no caso de transplante de raiz nua. Mudas de torrão podem ser plantadas fora desse período.

O espaçamento é de 4 x 4 m (média: 625 marmeleiros/ha). Para plantio de variedades mais produtivas, em solos férteis, pode ser ampliado para 5 x 4 m, 5 x 5 m, ou 6 x 4 m. Em terras fracas ou pequenas áreas, o espaçamento vai para 4 x 3 m ou 3 x 3 m .

O plantio costuma ser feito em camalhões (porção de terra de lavoura entre dois regos) das curvas de nível e, por isso, dispensa-se o coveamento.

Só é feito um buraco do tamanho suficiente para caber a muda. O plantio deve ser feito em dia encoberto ou chuvoso. As mudas precisam ser levadas ao local do plantio envolvidas por sacos de estopa úmidos.

Se não estiver chovendo, rega-se a cova após plantio. A multiplicação do marmeleiro é feita por estacas ou fiO marmelo maduro é muito apreciado pelas crianças da comunidade lhotes enraizados.


Caracteristica do Marmelo



A CULTURA DO MARMELO (Cydonia oblonga Mill.)

Frutífera da família Rosaceae, tendo como centro de origem o Oriente Médio, de aptidão climática temperada e bastante exigente em tratos culturais, mormente os fitossanitários. Adapta-se melhor aos solos orgânicos, e sua exploração exige um combate rígido à entomosporiose, doença que limita seu cultivo racional.
O plantio é feito por estacas enraizadas dos cultivares eleitos para exploração, que são exigentes de interpolinização. Os frutos raramente são consumidos in natura, mas industrializados, para a produção de marmelada. O marmelo pode ser ainda utilizado em geléias, sopas, licores, xaropes e em finos pratos salgados. Sua pectina também pode ser empregada em farmácia e perfumaria. Apesar do ponto de estagnação em que se encontra, a cultura do marmeleiro antecedeu em importância econômica à do café, constituindo o primeiro produto de exportação paulista, ainda nos tempos coloniais. Nos últimos vinte anos tem-se dado bastante atenção ao marmeleiro, como porta-enxerto de pereiras e nespereiras, visando ao ananismo das plantas dessas frutíferas.

Cultivares: Portugal, Smyrna, Mendoza INTA-37 e Provence.

Épocas de plantio: mudas de raízes nuas (transplante) em junho e julho, e envasadas no período das águas.

Espaçamento: 5 x 3m (básico) ou 5 x 2m (condução com poda drástica).

Mudas necessárias: 667 ou 1.000/ha.

Controle da erosão: plantio em nível ou cortando as águas; em patamares ou banquetas nos terrenos mais declivosos; capinas ou roçadeira em ruas alternadas, na época das chuvas.

Calagem: de acordo com a análise de solo, aplicar o calcário para elevar a saturação por bases a 70%. Aplicar o corretivo por todo o terreno, antes do plantio, ou mesmo durante a exploração do pomar, anualmente, incorporando-o por meio de aração e/ou gradagem.

Adubação de plantio: aplicar, por cova, 2kg de esterco de galinha ou 10kg de esterco de curral, bem curtido, 1kg de calcário magnesiano, 160g de P2O5 e 60g de K2O, pelo menos 30 dias antes do plantio. Em cobertura, a partir da brotação das mudas, ao redor da planta, aplicar 60g de N, em quatro parcelas de 15g, de dois em dois meses.

Adubação de formação: no pomar, sob espaçamento básico, de acordo com a análise de solo e por ano de idade, aplicar 20 a 60g/planta de cada um dos nutrientes: N, P2O5 e K2O; aplicar o N em quatro parcelas, de dois em dois meses, a partir da brotação.

Adubação de produção: no pomar adulto, sob espaçamento básico, a partir do 6º ano, conforme a análise de solo e a meta de produtividade (8 a 12 t/ha), aplicar anualmente 3 t/ha de esterco de galinha, ou 15 t/ha de esterco de curral, bem curtido, 70 a 140 kg/ha de N, 20 a 100 kg/ha de P2O5 e 20 a 120 kg/ha de K2O. Após a colheita, distribuir o esterco, fósforo e potássio, na dosagem anual, em coroa larga, acompanhando a projeção da copa no solo, e, em seguida misturá-los com a terra da superfície. Dividir o nitrogênio em quatro parcelas e aplicá-las em cobertura, de dois em dois meses, a partir do início da brotação.

Observação: Para plantios adensados, aplicar os adubos, no pomar em formação e no adulto, de modo similar aos plantios básicos, reduzindo as dosagens proporcionalmente à área ocupada por planta.

Irrigação: aconselhável nas estiagens da primavera, por sulcos ou bacias, ou sua substituição parcial pela utilização de cobertura morta.

Outros tratos culturais: capinas, desbrotas, podas de formação, de limpeza e/ou de encurtamento para frutificação, na condução sob poda drástica.

Controle de pragas e doenças: no inverno – calda sulfocálcica concetrada; na vegetação – fungicidas, tendo por base oxicloreto de cobre ou oxicloreto de cobre + mancozeb, para proteção contra a entomosporiose; inseticidas fenthion, trichorfon, formothion, phosmet ou parathion methyl, visando ao controle de mosca-da-fruta, mariposa oriental e pulgão.

Colheita: fevereiro a março. Safras comerciais a partir do 3º ano da instalação do pomar. Ponto de colheita: frutos de vez a maduros, ainda firmes, de coloração amarelada.

Produtividade normal: 8 a 18 t/ha de frutos em pomares adultos, racionalmente conduzidos, e conforme o espaçamento.

Fonte de pesquisa: http://www.seagri.ba.gov.br

http://www.todafruta.com.br

quarta-feira, 3 de junho de 2009

PLANTAR SOLIDARIEDADE - SANTIAGO DO IGUAPE - BAHIA


Antiga região açucareira. Outrora rica e poderosa às margens do majestoso Rio Paraguassu, hoje é um bolsão de miséria e testemunha viva do descaso e da omissão. A população de Santiago do Iguape, assim como de vários lugarejos ao longo do percurso do Grande Rio, são descendentes dos antigos escravos dos engenhos de açúcar e das lavras de diamantes. Pela região escoaram todas as riquezas da terra e não sobrou nada para quem realmente deu o sangue para lavrar aquelas paragens. Estas duas crianças tem um sorriso estampado no rosto por um motivo especial. É que ainda existem anjos na terra que fazem a sua parte sem esperar qualquer reconhecimento. Dr. Orlins Santana, dentista da localidade, presta incontáveis serviços voluntariamente.


É graças a pessoas como ele e Jorge Marcos, grande Chef baiano e amigo pessoal, que projetos como a fabrica de blocos de concreto tiveram início.



As moradias que predominam na região são de pau-a-pique e esta é uma amostra da baixa qualidade de vida dos quilombolas.



Sem contar que não existe saneamento básico. A água que todos utilizam é de uma bica, sem qualquer tipo de controle de qualidade. Para se mudar um quadro devemos começar pelo básico e foi com esta visão que um grupo de pessoas liderados pelo Dr. Orlins criou o projeto da fábrica de blocos, quem nos conta é o próprio Jorge Marcos:



"Prá começar, a idéia de ensinar a fazer blocos de cimento surgiu por conta da precariedade da maioria das casas de lá. Então fomos a Feira de Santana, alugamos umas formas e levamos um rapaz para instruir na fabricação.
Lá em Santiago do Iguape tem muita areia propícia para confecção dos blocos de cimento. Além do mais é fácil fazer e não precisa cozimento. Depois de misturar bem a areia com o cimento e pouquíssima água, fazer um bloco é coisa de 2 minutos. Em seguida tira da forma e deixa cerca de oito dias sendo molhados duas vêzes ao dia. Depois seca ao sol e estão prontos para levantar paredes. É também muito econômico pois não precisa usar reboco, já que as formas são de aço e a compactação da terra com cimento deixa o bloco liso, perfeito. O cimento nós conseguimos através de doações."



CRIANÇAS DE SANTIAGO



Construir melhores moradias já é um começo, é o básico, mas não é tudo. A comunidade vive de catar mariscos na beira (já próximo ao mar) do Rio Paraguassu, pescar e defumar camarões, pescar pequenos peixes, plantio de abóbora, aimpim, quiabos. Não existe outra fonte de renda. A aposentadoria dos mais velhos e poucos empregos municipais é que sustentam o lugar. Na época das usinas de açucar na região, havia muita riqueza. Daquí, iam para a Europa navios carregados de ouro, pedras preciosas, açúcar e muitos outros bens. Inclusive os ricos senhores de Engenho mandavam suas roupas para serem lavadas na França. (com água dos Alpes...)

Muitas das meninas do Iguape, já com 12 para 14 anos, nunca colocaram os pés num par de sapatos. Não sabem o que é usar um par de sapatos. É descalça ou de sandália tipo havaiana. Mãe aos 14, 15, 16 anos é muito comum.

"(Fêz sombra ao meio dia, pesou mais de 30k, já está pronta) Filho com um, depois larga, filho com outro,... e por aí vai... é a vida... e quem quiser que diga o contrário."

Falta orientação, são assim, os pais eram assim, os avós, enfim, como diz Jorge, quem quiser que julgue... Eles não precisam de juízes, precisam de apoio, de solidariedade. Além dos colchões, de que já falamos no post anterior, 2 crianças de Santiago do Iguape, precisam de um plano de saúde Golden cross 154 reais por mês cada, dedutíveis do Imposto de Renda. Os colchões peço aos amigos baianos, como já disse, o Dr. Orlins se prontifica a ir buscar, mas os planos de saúde, qualquer um pode ajudar. Para maiores informações, entre em contato direto com o Dr. orlins pelo e-mail orlins@hotmail.com ou com o Jorge Marcos pelo e-mail br.14bis@gmail.com.

SANTIAGO NA MIRA DA UNESCO



Como podem ver pelas fotos, Santiago do Iguape, bem como outros lugarejos ribeirinhos, possuem um potencial turístico muito grande, basta que as autoridades competentes trabalhem neste sentido. É preciso atacar a pobreza pela raíz, ou seja, gerar empregos. Só com um emprego digno é que o homem conquista a dignidade que deve ser inerente a todo ser humano. Leia esta reportagem de Carmen Vasconcelos / Redação CORREIO, Roteiro da foz do Rio Paraguassu é candidato à eleição da Unesco .

Segundo Jorge Marcos, vale a pena conhecer o lugar, é belíssimo, com conventos e igrejas que, apesar de saqueados ao longo dos séculos, ainda preservam a majestade e a imponência dos anos de riqueza farta e fácil (para poucos). Além da paisagem natural que é digna de nota, basta ver este lindo por-do-sol para ficarmos com inveja de quem mora por lá.

POR-DO-SOL - RIO PARAGUASSU

RUINAS DO CONVENTO, IGREJA E HOSPITAL DE SÃO FRANCISCO DO PARAGUASSU - 1680.
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