segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Natal - A origem


O EVENTO CENTRAL
Deus nascido entre fraldas, na vila de Belém, numa noite de inverno. Eis o mistério do Natal cristão. Uma surpresa escondida no meio da noite. Paradoxo gratuito diante da voracidade mercantil de nossos dias. A Igreja chamava esta festa de Festum Nativitatis Domini Nostri Jesu Christi, ou numa fórmula curta, Dies Natalis Domini. Daí a palavra Natal e por uma corruptela do sul da França, a expressão Noel.
O nascimento do Filho de Deus encarnado em nossa carne e vivendo nossa história é o grande segredo do Deus que por amor e por nossa salvação quis ser um de nós para nos levar um dia à sua glória e plenitude divinas.
Este é o mistério da fé. E é claro o grande segredo do amor. Quem ama se dá a si mesmo completamente e sem esperar troca nem pagamento. Ato gratuito e generoso. Ato de quem é Deus. E que prefere ser chamado secretamente de Deus-conosco. Um Deus nascido num barraco. Ou como dizem os nordestinos, Deus mais nós. Et Verbum caro factum est. E o Verbo se fez carne. Entre fraldas.




A MADRUGADA DO DIA 25 DE DEZEMBRO
Nós ignoramos até hoje o dia e a hora do nascimento de Jesus. No século II celebrava-se no dia 06 de janeiro a festa do batismo de Cristo e a manifestação, em grego, epifania, de sua divindade. A partir do século IV a Igreja do oriente começa a celebrar a festa do nascimento também nesta data. No Ocidente, entretanto, tornou-se oficial celebrar o nascimento de Jesus na noite do dia 25 de dezembro a partir do ano 353. Provavelmente foi uma forma de cristianizar as festas pagãs conhecidas como "Saturnais" que aconteciam entre 17 e 24 de dezembro antecipando a festa de "Janus", o deus de duas faces.
Este nascimento se dá à noite, de madrugada. Noite que é sempre filha do Caos e mãe do Céu. Engendra o sono e a morte, os sonhos, pesadelos, ternura e o engano. A noite sempre simboliza o tempo das gestações, das germinações que irromperão em pleno dia como manifestações da força vital. O que o véu esconde é a semente poderosa do dia. É portanto momento e tempo de virtualidades, de pulsões interiores, de pensarmos na preexistência das coisas e das pessoas.
Entrar na noite escura é voltar para o indeterminado e enfrentar os pesadelos e os monstros obscuros. A noite de Natal é tempo de fecundar o futuro ("Quanto mais negra a noite mais carrega em si o amanhecer", Tiago de Mello) e tempo de preparação ativa do novo dia, donde brota ao alvorecer o sol invencível, a luz plena, o grito de espanto diante do Calor de Deus Eterno. Desde o século IV, um hino latino cantado na cerimônia de Natal, dizia que Cristo nasce no meio da noite e, daí o costume de assumir a meia-noite como hora do nascimento de Jesus. A Igreja proclama esta Noite Feliz, pelo canto do galo à meia noite, na conhecida missa do galo, e desde o século IV, na Basílica de Santa Maria Maior, em Roma, proclama: "Entre os resplendores da santidade, das minhas entranhas Eu te engendrei antes da luz da manhã."



Fontes bibliográficas:

*Áquilino de Pedro, Dicionário de termos religiosos e afins, Santuário, Aparecida, 1994, 368 p.
*Humberto Porto & Hugo Schlesinger, Dicionário Enciclopédico das Religiões, Vozes, Petrópolis,
1995, t. I e II, 2864 p.
*Juan-Eduardo Cirlot, Diccionario de símbolos, Labor, Barcelona, 1985, 473 p.
*Almanach populaire catholique; 1999; 18ª edição, Revue de Sainte-Anne, Quebéc,
1998, 992 p.
*Théo, L'encyclopédie catholique pour tous, Droguet-Ardant/Fayard,Paris,1992,1327p.
Pesquisada por Oswaldo dos Santos Araujo

Os lindos desenhos são retirados da internet e desconheço a autoria.

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